O ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo é como um sopro, “sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai” (Gn 1,2). Uma primeira velada referência ao Espírito encontra-se desde as primeiras linhas da Bíblia, no hino a Deus criador com que se abre o livro do Gênesis: “A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas” (Gn 1,2; Sl 33,6; Jo 33,4). A vida tem origem no sopro direto de Deus. O ato criador de Deus é um ato de amor. Deus soprou ar que ele respira para dentro da pessoa, a fim de que também ela passasse a respirar o ar que Deus respira. “Então Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente”(Gn 2,7) E o sopro de Javé tanto possui uma força criadora, como também destruidora: “ele matará o ímpio com o sopro de seus lábios (Is 11,4; Ex 15,8 2Sm 22,9; Jô 4,9). A palavra Espírito, em grego pneuma, em latim, é spiritus em hebraico ruah aparece muitas vezes no Antigo Testamento que significa “sopro” e pode designar tanto o vento como o respiro. Na bíblia, a presença do Espírito de Deus tem a função de criar, animar, discernir, profetizar, ressuscitar, libertar e recriar.
ü Deus guia seu povo
pelo deserto para a terra prometida (Nm 11,25-29). Orienta Moisésnas decisões
(Nm 17,16;2716;Dt 34,9).
ü Se faz presente na
consagração régia de David. A propósito a Escritura diz: “A partir daquele dia
o Espírito do Senhor apoderou-se de David” (1Sm 16,13).
ü No exílio e no
pós-exílio o povo sente a presença do Espírito de Deus dando vida nova,
ajudando a refazer as esperanças (Nm11,17;2Sm23,2; Mq 3,8;Zc 7,12; Ez,37,10-14).
ü No pós-exílio o
Espírito não era só para as pessoas que tinham algum cargo especial, mas
derramado sobre todo o povo (Jl 3,1-2; Is 59,2; Zc12,10)
ü E o mesmo Espírito
Santo que seduz os profetas para a missão nada fáceis (Is 6,7-8;Jr 1,4-10;Ez
2,1-5).
ü Isaias anuncia o
nascimento de um descendente, sobre o qual “repousará o espírito de sabedoria e
de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de
temor do Senhor” (Is 11,2-3). Jo 3,8).
O vento, que soprou
forte no dia de Pentecostes, foi reconhecido pelo autor de Atos dos Apóstolos
como o sinal da vinda do Espírito Santo, a ser dado aos Apóstolos.
Jesus o revela como aquele que será enviado por ele e pelo Pai, depois que Jesus for glorificado.
ü Rogarei ao pai e
ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o
Espírito da Verdade” (Jo 14,16-17).
ü “Quando vier o
Espírito, vier o Paráclito, que vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da
verdade, que vem do Pai, ele dará testemunho de mim” (Jo 15,26).
ü “É bom para vós que
eu parta, pois, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for,
enviá-lo ei a vós (Jo 16,7)”.
ü Quando vier a
Espírito da Verdade, ele vos conduzirá a verdade plena, pois não falará de si
mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras. Tudo
o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse: ele receberá do que é meu e vos
anunciará.
Jesus revela o Pai e revela a si mesmo como Filho eterno deste Pai, mas também revela o Espírito Santo como terceira pessoa distinta, que ele e o Pai enviarão aos que crerem. Este Espírito da verdade é o Amor que liga Pai e Filho, desde toda a eternidade. Por isso, ele é o Espírito da unidade e da diversidade e assim agirá na Igreja. Ele é enviado no dia de Pentecostes e derramado sobre a Igreja nascente e permanecerá com ela até o fim dos tempos.
Na Igreja, o Espírito Santo age nos sacramentos e por meio deles produz nova vida, vida de filhos de Deus, naqueles que creem e recebem os sacramentos. Assim pela ação do Espírito no batismo realiza um novo nascimento, que nos faz filhos de Deus e nos incorpora no Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Na filiação divina é, assim, obra do Espírito Santo. Na Eucaristia o presidente da celebração invoca sobre as oferendas o Espírito Santo para que se mudem no Corpo e no Sangue de Cristo.
O Espírito Santo
guiará a Igreja na verdade e para toda a verdade. Impulsionará a Igreja para as
missões até os confins do mundo, tornando-se o agente principal da atividade
missionária a evangelizadora da igreja, como ele o é ainda hoje e sempre. Através
dos tempos, santificará e renovará constantemente a sua Igreja. O Concílio
Vaticano II diz: “Pela força do Evangelho ele rejuvenesce a Igreja, renova-a
perpetuamente e leva-a uma perfeita união com seu Esposo...” (LG,4).
O Concílio reafirma
e declara:
ü “O Espírito habita
na Igreja e nos corações dos fiéis como um templo (1Cor 3,16;6,19).
ü “Neles ora e dá
testemunho de que são filhos adotivos” (Gl 4,6; Rm 8,15-16.26)”. “Se vivemos
pelo Espírito, pelo Espírito pautaremos também nossa conduta” (Gl5,25).
ü Ele concede seus
dons e carismas a quem ele quer e para o bem comum: “A cada um é dada a
manifestação do Espírito para a utilidade comum”(Cor 12,7).
ü São Paulo enumera
alguns destes carismas como a sabedoria, a ciência, o poder de cura, o poder
dos milagres, a profecia, o discernimento dos espíritos, a variedade das
línguas, a interpretação das línguas, e acrescenta: “mas é o único e mesmo
Espírito que isso tudo realiza, distribuindo a cada um os seus dons, conforme
lhe apraz”(1Cor 12,11). Falando, porém, de uma hierarquia entre os carismas
para a utilidade comum, o apóstolo acrescenta que o carisma mais importante é a
caridade. Sem ela, todos os demais carismas nada valem.
Mas há também
carismas ligados aos ministérios, razão pela qual o Santo Padre o Papa em sua
catequese semanal de 27 de fevereiro de 1991 afirma: “Não se deve contrapor
estes carismas aos ministérios de caráter hierárquicos...” Na igreja, Deus pôs
tudo no lugar certo “em primeiro lugar, os apóstolos; em segundo os profetas; e
em terceiro, os mestres e em seguida os demais ministérios (1Cor12, 28).
Vejamos o que diz São Paulo nas suas cartas a Timóteo: ”Não descuides do
carisma que há em ti, que te foi confiado mediante a profecia, junto com a
imposição das mãos das assembleia dos presbíteros”(1Tm 4,14); eu te exorto a
reavivar o carisma que há em ti pela imposição das minhas mãos”(2Tm 1,6).
Portanto continua O Santo Padre o Papa – existe um carisma de Pedro, existe um
carisma de bispos, dos presbíteros e dos diáconos; existe um carisma concedido
a quem está chamando a ocupar um cargo eclesiástico, um ministério.
Contudo, é preciso que renovemos sempre de novo em nós mesmos o dom do Espírito Santo. É ele que cria e sustenta nossa vida espiritual. Ele ora em nós ao Pai, com gemidos inexprimíveis. Clama em nós: Abbá, Pai. Diz o Apóstolo Paulo: “Eu vos declaro que ninguém, falando sob a ação do Espírito de Deus, pode dizer: “Jesus seja anátema, assim, ninguém pode dizer Jesus é Senhor, a não ser no Espírito Santo” (1Cor 12,3). Portanto é preciso pedir sempre de novo o dom Espírito Santo. É o Espírito Santo que nos santifica, transforma e unge espiritualmente. Se queremos ser apóstolos que pregam Cristo com nova unção, numa nova evangelização, é preciso renovar em nós esta unção do Espírito. Mas é necessário pedir perseverantemente esta renovação da unção, de joelhos, em silêncio e preces.
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